PA-NDA!
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
PA-NDA!
PA-NDA!
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
Monumento

Quatro meses e venho te esmiuçando. As primeiras imagens que tive de ti... Encostada em um balcão de lanchonete, em uma rodoviária onde agora assumes formas mil. Te encontrei e reencontrei tantas vezes, sempre nos mesmos lugares. Agora uma névoa cinza encrustou na tua face. Te vejo cinza e marrom, um monumento só meu, que defendo vorazmente à machadadas. Mas és grande demais, aqui e ali te roubam pedaços. Sei que és resistente, sólida... Mas que mal faria se tomasses vida? Se pudéssemos, os dois, lutar lado à lado contra os ladrões de rochas?
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
Evidently Chickentown
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by John Cooper Clarke
sábado, 12 de junho de 2010
Rascunhos Pt.1
#1
Não há nada neste curso ao qual chamamos de vida que não esteja sujeito à críticas e à discussão de qualquer indivíduo. Assim como tudo que vemos, nossas idéias e pensamentos sempre possuem mais de um lado, mais de uma face, ou melhor, mais de duas. Por exemplo: minha querida mãe crê que ir para a igreja todos os domingos e se ajoelhar em uma tábua de madeira — que por sinal, deve ser a causa das dores de coluna dela — vai me fazer ficar nesta província desértica e desistir de ir morar para Belém. Eu, por outro lado, acho que à todos aqueles que exercem o ardiloso ato de ir à igreja, deveriam ser oferecidas — como presentes de Deus, é claro — camas ortopédicas.
#2
Passaram-se duas horas desde que escrevi o pequeno texto acima. Até então eu estava conversando com pessoas e enfiando pontas de cigarro no cinzeiro, mas acabei esbarrando com um velho e conhecido inimigo — ó, quem será? — Sim, eu vos digo: o tédio. Não era de se admirar. Me lembrei que tinha achado o DVD com parte das músicas que existiam no meu computador e lembrei também que tinha a discografia completa do Autechre no DVD. Se existem duas bandas — “grupos” seria mais adequado — que conseguem me fazer sentir como um megazord no metrô, logo nos primeiros segundos de música, estão são Kraftwerk e Auchtere. Talvez isso dê pelo fato de que todos os dois grupos fazem — ou fizeram — música eletrônica e por serem as únicas que eu conheço do gênero. Mas do que adianta falar do que não se sabe?
#3
Escrever ainda continua sendo uma tarefa complicada para mim. Muitas vezes, me sinto como os Power Rangers, que quando acertados com tiros ou cortados com espadas, voavam a quilômetros de distância e não caiam no chão sem antes dar inúmeros mortais no ar para só então sentir dores em lugares onde eles nem mesmo tinham sido feridos. No meu caso, o processo de escrever é bem parecido — certo, nem tanto. — Geralmente, eu sento para escrever e após alguns minutos a idéia vem à minha cabeça, como as faíscas que saem de buracos invisíveis no corpo dos guerreiros coloridos. Mas no decorrer do ato, dou cambalhotas sem sentido, desvio de falsas armadilhas e esquivo de coisas inexistentes, atuando repugnantemente. E quando chego ao chão e coloco o último ponto, vejo coisas serem onde não são e enxergo problemas onde não há algum. Por fim, acho tudo uma merda. Amasso — deleto — o papel — o arquivo — e rebolo em algum canto do quarto — das profundezas do meu HD. Uma sombra de perfeccionismo? A velha autocrítica? Pura chatice? São quatro da manhã e sinceramente, tanto faz.
quarta-feira, 12 de maio de 2010
1... AM
O primeiro convidado me fez rir descontroladamente. Tinha algo a ver com um contador, ele o havia enganado, roubado o seu dinheiro. Ele não podia realmente matá-lo, então matou-o na página 347 do seu livro, que estava à divulgar.
Realmente fugiu para o paraguai. Teve que distribuir dinheiro pelo caminho para atravessar a fronteira. Observou o funcionamento do contrabando e como as mercadorias passavam de um país para o outro sem o acréscimo de impostos sobre o seu valor. Fez piadas com as gírias (em espanhol) que ouvia pelo caminho. Falou de uma bunda. Leu alguns trechos do livro que escrevera para auxiliar suas explicações e mencinou este fato. Ri, do começo ao fim.
O segundo convidado era um ator. Também foi para divulgar... divulgar a peça na qual estava atuando até aquele momento. Chamava-se "Após a Chuva". A peça, não o ator...
Interessante que a única parte em que dei algumas poucas risadas, foi quando o ator demonstrou o quanto havia apreciado a história contada pelo convidado anterior. No resto do tempo, fixei minha cabeça ao solo, e lá fiquei, apenas com o áudio. Ele era simpático demais. Entediei-me. Ele tinha algo com o chapéu. Cheguei tarde demais para entender.
Algo incomum (pelo menos para mim) aconteceu.
O programa havia começado com uma violonista e terminou com uma banda de pop rock cujas letras transmitiam lindas mensagens cristãs de esperança, amor e compaixão, evocando, é claro, o nome de nosso senhor todo poderoso. Já não estava lá. Encontrava-me no quarto, aproveitando-me da absurdamente alta taxa de download, a qual era atualizada pelo software do meu modem, de segundo em segundo, chegando a um máximo de 2.12 Mbps.
O que acontece depois não interessa, não fazia mais parte daquela uma hora.
Minha cabeça à minha altura, subtraída do comprimento de minha perna esquerda, que acontece de ser o mesmo da perna direita; Minha cabeça fixada ao solo, enquanto ouvia os esporádicos sons dos ônibus que passavam na avenida, a alguns metros de distância da cozinha onde me encontrava; Minha cabeça onde devia estar, um metro e sessenta, um metro e sessenta e cinco, realmente, não me lembro. Uma hora, uma cabeça, três alturas.
Aplausos para o primeiro convidado.
sexta-feira, 30 de abril de 2010
Pela Janela
É uma sensação muito interessante a de observar as pessoas através da janela do carro. Eu me lembro uma vez estar escutando A Punchup at a Wedding, sentado no banco da frente, e de repente ter percebido isso: todas aquelas pessoas ali, andando de um lado para o outro, passando despercebidas umas pelas outras, como se cada uma delas fossem um monte de obstáculos ambulantes, egoístas, egocêntricas, egofanáticas, preocupadas com seus problemas individuais, compromissos marcados, planos futuros, ou quem sabe, distraindo suas mentes com coisas pequenas, uma lembrança antiga, o abraço que deu na amiga pela manhã, os estudantes que viu conversando na frente da escola, o morador de rua que lhe pediu alguns trocados, a cor da blusa de uma menina que viu rapidamente, a música de fundo em uma propaganda de televisão, uma idéia, uma pequena linha de pensamento, uma frase, uma simples palavra pela qual imagina o significado. Todos esses fragmentos, pedaços de vida circulando anonimamente pelas calçadas e ruas, nunca interferindo uns com os outros, e como poderiam? É então que dentro desta infinita gama de reflexões, perdido entre a fumaça das chaminés, você acidentalmente se faz uma pergunta: "Quem sou eu?". E logo em seguida, outra: "Se eles são obstáculos, o que eu sou?". Rapidamente, uma série de perguntas derivadas começam a surgir como figuras geométricas na sua cabeça, uma levando a outra, multiplicando-se cada vez mais e mais, deixando as que ficaram para trás sem resposta, contentando-se apenas em absorver mais e mais dúvidas, cada vez mais específicas, cada vez menores, até que em um certo ponto, elas já estão tão pequenas quanto ordinárias e ao invés de lhe proporcionarem curiosidade, elas começam a lhe afastar da idéia geral, da primeira dúvida que teve bem no começo do efeito dominó. Você decide parar, cessa com todos os pensamentos, exceto com o primeiro: "Quem sou eu?". Você repete, quatro, cinco vezes, "Quem sou eu?", focando-se apenas nesta pergunta, mas ao ao olhar mais uma vez pela janela, um leve ar de superioridade lhe vem à cabeça. Você percebe que não está lá, você está por trás da janela películada, os observando realizar suas atividades medíocres, com suas conversas preconceituosas e mesquinhas, sempre procurando por novidades, sempre procurando por mais problemas para dos quais poder passar o dia reclamando. Essa sensação de ausência lhe engrandece, aos poucos você solta leves risos, imaginando que tipo de medíocridades estão a passar pela mente daqueles bonecos, obstáculos ambulantes, sente-se intocável, inflexível, invencível. E é quando que distraído com suas próprias risadas, você percebe que o carro parou e você tem que descer, descer e fazer aquilo, caminhar entre eles e seus pensamentos, levando consigo os seus. Tem que descer e abraçar a amiga da sua tia, passar pelo bêbado dormindo no meio da calçada, entrar no supermercado e ver aqueles anúncios multicoloridos, ouvir os estudantes conversando na parada de ônibus, uma frase na parede que lhe dá uma idéia, uma vontade de correr pra casa e escrever tudo que está pensando, escrever e deixar os pensamentos escorragarem uns sobre os outros, seria estimulante, seria... Alguém buzina! A avenida, cheia de carros com seus vidros películados e adolescentes sentados no banco do passageiro, quem sabe, imaginando sobre o que você está fazendo ali, olhando para aquela parede. "Quem sou eu?", uma vez basta: egoísta, egocêntrico, egofanático.
segunda-feira, 19 de abril de 2010
"Seja o que quiser ser, mas seja"
Eu menti.
Nunca comprei nada da Polishop; Nunca assisti Skins; Invandi a casa do Edgar porque eu estava entediado; Nunca tive a tal overdose de Coca-Cola ;Desde que nasci, li poucos livros dos quais me recordo apenas do Código da Vinci e O Colecionador de Borboletas, este último sendo o melhor livro que já li; Eu leio pouco porque sou preguiçoso; Eu escrevo pouco porque sou preguiçoso;
Não sou inteligente; Certas coisas que eu digo são passagens de séries ou filmes ou, mais raramente, livros; Meus raciocínios são geralmente instantâneos, e muito das vezes, meros sofismas; Constantemente, na presença de outros indivíduos, construo personalidades apropriadas para com o momento, na tentativa de fazer certa diferença no diálogo ou na interação entre eles; Não fechei matemática no PSIU, vi uma menina aparentemente bonita sentada à minha frente e assim que ela saiu, tratei de marcar 'B' em todas as questões de história e geografia para segui-la (infelizmente, não a encontrei); Das únicas provas mensais que cheguei a fazer no Sinopse, tirei 9,5 na prova de Química I (radioatividade), 7,0 na de Química II (soluções) e 6,0 ou 6,5 na de Gramática (verbo). Matemática, às vezes, é um saco; Física, às vezes, é um saco; Química, na maioria das vezes, é um saco; Não resolvi todas as questões de estequiometria do livro, como disse que resolvi no primeiro ano (os testes me davam sono); O segundo ano mostrou o porquê do primeiro ter sido bom, em termos de notas; Nunca fui inteligente e, provavelmente, nunca serei.
Nunca amei ninguém, não sei o que é isso, mas quando estiver caquético, provavelmente darei um sublime significado a esta palavra; Carol, Yasmin, Izabelle, Jôsy, Lorena, Isabella, Pâmella, Anna, Palloma e Bárbara foram dependências químicas; Dani, ninguém queria me bater, eu só queria te beijar mesmo; Acho que choraria se meus pais morressem, mas "quem vai me dar comida" e "quem vai financiar meus cigarros" seriam com certeza, uma preocupação maior do que a morte deles; Nunca tentei me matar; O máximo que eu já fiz foi cortar a mão com uns cacos de vidro e tomar algumas pílulas de benflogin; Tive uma experiência homosexual lá pelos 12 ou 13 anos (Pedro Ângelo vai me bloquear); Já furtei amigos, tias de amigos e parentes; Sempre gostei mais das coisas do que das pessoas; Sempre gostei mais de mim do que dos outros; Sempre gostei de mim.
segunda-feira, 12 de abril de 2010
Mudança
Eu perdi a conta de quantas vezes eu já me prometi uma mudança. É tão fácil não é? Sentar-se na cama após um dia cheio de coisas ordinárias e de meninas ridículas com suas neuroses (no sentido psicológico da palavra) que perguntam pra você de quinze em quinze minutos o que diabos você tem, e simplesmente dizer "a partir de hoje eu serei outra pessoa". Simples, fácil, e assim se daria a própria mudança se não fosse pelo tédio, pelos amigos, pelos convites, pelas sentenças ambíguas que fazem você querer soltar tudo que há incrustado nas regiões mais profundas do seu cérebro. Dias depois você já se encontra exausto de tanto imaginar o que está acontecendo lá fora, o som dos carros passando lhe deixando maluco, amigos do colégio vem e lhe contam sobre como foi engraçado o que tal pessoa disse na sala de aula, e como todos riram e riram da cara que a professora fez. Seria bom se eu conseguisse me trancar no quarto por meses, com a comida sendo passada pela janela, lendo livros e mais livros, escrevendo sobre filmes e vendo filmes que me fizessem escrever, seria ótimo! Talvez assim eu aprendesse a falar menos, só o necessário pra me comunicar, e não precisasse ficar com raiva por ter dito coisas que eu não queria ter dito, ou por ter demorado muito pra bater a merda da porta e ir embora. Mas ao contrário do falar, fazer é muito difícil (ainda mais pra quem é exageradamente preguiçoso, como eu).
Você tem que ter coragem, força de vontade, ignorar conceitos e aceitar outros, tem que crescer, ou melhor, amadurecer, como dizem por aí, mas isso tudo é muito chato! Eu não sei, talvez se eu tivesse amigo(s) de verdade (no meu conceito do termo), que me instigassem a continuar, não só dizendo coisas como "tu que sabe", ou "se tu acha que isso vai ser bom pra ti, vá em frente", mas que tivessem uma opinião sobre o assunto, de modo que conseguissem me convencer, que conseguissem realmente chamar minha atenção, talvez então eu conseguisse "ir em frente". Mas talvez, eu seja apenas um idiota, um hipócrita, jogando a responsabilidade pelo sucesso de meus objetivos para os outros, o que na minha opinião é muito mais provável. De qualquer maneira, fácil ou não, prometo pela milionésima vez que vou mudar, pode ser que eu consiga, pode ser que não, mas desta vez aplicarei um esforço muito maior.
