sábado, 12 de junho de 2010

Rascunhos Pt.1

#1

Não há nada neste curso ao qual chamamos de vida que não esteja sujeito à críticas e à discussão de qualquer indivíduo. Assim como tudo que vemos, nossas idéias e pensamentos sempre possuem mais de um lado, mais de uma face, ou melhor, mais de duas. Por exemplo: minha querida mãe crê que ir para a igreja todos os domingos e se ajoelhar em uma tábua de madeira — que por sinal, deve ser a causa das dores de coluna dela — vai me fazer ficar nesta província desértica e desistir de ir morar para Belém. Eu, por outro lado, acho que à todos aqueles que exercem o ardiloso ato de ir à igreja, deveriam ser oferecidas — como presentes de Deus, é claro — camas ortopédicas.

#2

Passaram-se duas horas desde que escrevi o pequeno texto acima. Até então eu estava conversando com pessoas e enfiando pontas de cigarro no cinzeiro, mas acabei esbarrando com um velho e conhecido inimigo — ó, quem será? — Sim, eu vos digo: o tédio. Não era de se admirar. Me lembrei que tinha achado o DVD com parte das músicas que existiam no meu computador e lembrei também que tinha a discografia completa do Autechre no DVD. Se existem duas bandas — “grupos” seria mais adequado — que conseguem me fazer sentir como um megazord no metrô, logo nos primeiros segundos de música, estão são Kraftwerk e Auchtere. Talvez isso dê pelo fato de que todos os dois grupos fazem — ou fizeram — música eletrônica e por serem as únicas que eu conheço do gênero. Mas do que adianta falar do que não se sabe?

#3


Escrever ainda continua sendo uma tarefa complicada para mim. Muitas vezes, me sinto como os Power
Rangers, que quando acertados com tiros ou cortados com espadas, voavam a quilômetros de distância e não caiam no chão sem antes dar inúmeros mortais no ar para só então sentir dores em lugares onde eles nem mesmo tinham sido feridos. No meu caso, o processo de escrever é bem parecido — certo, nem tanto. — Geralmente, eu sento para escrever e após alguns minutos a idéia vem à minha cabeça, como as faíscas que saem de buracos invisíveis no corpo dos guerreiros coloridos. Mas no decorrer do ato, dou cambalhotas sem sentido, desvio de falsas armadilhas e esquivo de coisas inexistentes, atuando repugnantemente. E quando chego ao chão e coloco o último ponto, vejo coisas serem onde não são e enxergo problemas onde não há algum. Por fim, acho tudo uma merda. Amasso — deleto — o papel — o arquivo — e rebolo em algum canto do quarto — das profundezas do meu HD. Uma sombra de perfeccionismo? A velha autocrítica? Pura chatice? São quatro da manhã e sinceramente, tanto faz.